domingo, 13 de novembro de 2011

Elias, um profeta determinado


ELIAS, UM PROFETA HUMILDE E DETERMINADO

Dr. Caramuru Afonso Francisco
 A vida de Elias ensina-nos que a determinação, isto é, a disposição firme de servir a Deus e cumprir o seu ministério é qualidade indispensável para alcançarmos a vitória espiritual.
INTRODUÇÃO
- Na seqüência do estudo de algumas personagens bíblicas para melhorarmos os nossos caminhos diante de Deus, analisaremos a vida de Elias, o grande profeta levantado por Deus no reino de Israel (o reino do norte, o reino das dez tribos), num momento de grave crise espiritual.
- O ilustre comentarista quis realçar, na vida de Elias, duas características: a humildade de espírito, virtude que já estudamos quando estudamos a vida de Davi e a determinação, entendida esta como a disposição firme de cumprir integralmente a missão que lhe foi confiada pelo Senhor. Estes traços fizeram de Elias o modelo do profeta do Antigo Testamento.
I – BIOGRAFIA DE ELIAS (I) – ELIAS, O PROFETA QUE APRENDE A TER EXPERIÊNCIA PESSOAL COM DEUS
- Elias é daquelas personagens da Bíblia de que nada ou quase nada sabemos antes do início do seu ministério, circunstância que demonstra claramente que a Palavra de Deus tem o intuito de revelar aquilo que é pertinente à salvação do homem, sendo, obviamente, uma obra literária, histórica e científica, mas que não tem estes vieses como prioritários, sendo, pois, um grande equívoco querer reduzir o texto sagrado a estes aspectos.
- Elias surge nas páginas sagradas em I Rs.17:1 e de forma repentina, sem qualquer explicação, nem mesmo da sua genealogia, como é costumeiro fazer-se quando se trata, pelo menos, de personagens da história de Israel. É apresentado apenas como “Elias, o tisbita, dos moradores de Gileade”. Seu nome, que, em hebraico é ‘Eliáhu” (“Elias” é a forma grega do nome), significa “Javé é Deus” e sintetiza, de forma sublime, todo o seu ministério profético: demonstrar ao povo do reino de Israel que o seu Deus é Javé, o mesmo “Eu sou o que sou” que havia Se revelado a Moisés no monte Horebe.
- Da forma abrupta como Elias é apresentado no texto sagrado, ficamos a saber tão somente que o profeta é natural de Tisbe, sendo dos moradores de Gileade. Esta informação, além de escassa, traz uma série de problemas aos estudiosos da Bíblia, visto que a única menção que se faz desta cidade é no livro apócrifo de Tobias, onde é dito que se tratava de uma cidade que se situava na tribo de Naftali, na região da Galiléia, enquanto que o texto sagrado diz que Elias era “dos moradores de Gileade”, ou seja, alguém que morava na região daquém do Jordão, pertencente à meia-tribo de Manassés e à tribo de Gade (Js.13:24,25,30,31). Assim, ficamos sem saber se Elias morava em Gileade, tendo sido natural de Tisbe de Naftali ou se era de uma cidade chamada Tisbe que ficasse do outro lado do Jordão, na região de Gade ou da meia-tribo de Manassés. Flávio Josefo, o grande historiador judeu, parece concordar com a idéia de que se tratava de uma cidade de Gileade que se chamava Tisbe, enquanto que a Septuaginta chama a cidade de “Tisbe da Galiléia”, acolhendo a outra versão.
OBS: Eis o texto de Tobias 1:2, na Edição Pastoral: “No tempo de Salmanasar, rei da Assíria, Tobit foi exilado de Tisbé, que fica ao sul de Cedes, em Neftali, na Galiléia do norte, acima de Hasor, a ocidente, ao norte de Sefat.” Reproduzimos aqui, também, parte do texto de Flávio Josefo, nas Antigüidades Judaicas: “Havia agora um profeta do Deus Misericordioso, de Tisbe, uma cidade de Gileade, que veio a Acabe…” (JOSEFO, Antigüidades Judaicas 8:319. Disponível em: http://www.perseus.tufts.edu/cgi-bin/ptext?doc=Perseus%3Atext%3A1999.01.0146;query=whiston%20chapter%3D%23115;layout=;loc=8.363 Acesso em: 31 maio 2007) (tradução nossa de texto em inglês).
- Além do local de onde vem Elias, e que já dá margem a controvérsias, sobre Elias ficamos apenas a saber que se tratava de pessoa que tinha um traje característico, diferente daqueles usados pelas pessoas de seu tempo, tanto que bastava a descrição desta vestimenta para identificá-lo, a saber: “…um homem vestido de pêlos e com os lombos cingidos de um cinto de couro…” (cf. II Rs.1:8). Isto nos dá a entender que Elias deveria ter uma vida mais ou menos retirada da comunidade, uma espécie de “eremita” no deserto, o que, aliás, inspirou algumas ordens religiosas cristãs, notadamente a ordem dos “carmelitas”, que se inspiraram em Elias para construir a sua vida monástica.
- No entanto, embora Elias demonstre, pelos seus trajes e pela forma repentina com que se apresenta na história sagrada, que deveria viver um tanto quanto retirado da comunidade, não é correto dizer que haja respaldo bíblico para dizer que vivia isolado dos demais homens do seu tempo. Pelo que podemos observar do texto sagrado, percebemos que Elias tinha uma relação bem próxima aos chamados “filhos dos profetas”, ou seja, aos jovens que se dedicavam ao estudo da Palavra de Deus e a uma vida de serviço ao Senhor nas “escolas de profetas”, cuja origem remonta aos tempos de Samuel (I Sm.10:5; 19:20). Com efeito, as páginas sagradas permitem-nos vislumbrar que Elias tinha um estreito relacionamento com estes grupos (II Rs.2:2, 4), sendo até possível que Elias tenha sido uma figura proeminente de tais grupos quando se apresentou ao rei Acabe, o que, aliás, explicaria a facilidade com que tenha conseguido se apresentar ao rei.
- Apesar de tão parcos conhecimentos a respeito de Elias antes do início do embate com Acabe, Jezabel e os responsáveis pelo culto de Baal, tais informações já nos são preciosas no sentido de se mostrar que alguém, para ser usado eficazmente pelo Senhor, precisa ter dois pontos que havia na vida de Elias: um distanciamento do mundo e um comprometimento com a Palavra de Deus.
- Elias não era uma pessoa que havia se misturado com as estruturas religiosas desvirtuadas e contaminadas do reino de Israel. Nos dias de Elias, vivia Israel uma situação espiritual extremamente difícil. O rei era Acabe, filho de Onri, o fundador da terceira dinastia (família real) do reino de Israel, o reino do norte, o reino das dez tribos que haviam se separado de Roboão, neto de Davi (cf. I Rs.12:16-25). Esta terceira família reinante não se apartou do pecado de Jeroboão, o primeiro rei de Israel (reino do norte), que havia criado um culto próprio, fazendo sacerdotes dos mais baixos entre o povo, e levando o povo a adorar dois bezerros de ouro, um situado em Dã e outro em Betel (cf. I Rs.12:26-33), tendo, além disso, Acabe se casado com Jezabel, filha do rei de Sidom, que, ao se mudar para Israel, trouxe com ela o culto a Baal, o deus da fertilidade dos fenícios, criando, assim, um culto rival ao culto a Deus.
- Servir a Deus nestas circunstâncias não era nada fácil, pois, ou se adotava o culto oficial do reino, criado no tempo de Jeroboão, idolátrico e totalmente desvirtuado das prescrições da lei de Moisés ou, então, se aderia ao culto a Baal, trazido por Jezabel e que alcançou grande popularidade. Isto explica o distanciamento físico não só de Elias mas também dos filhos dos profetas, que não tinham espaço para, com liberdade, servir a Deus em meio a estruturas sociais altamente desfavoráveis a quem buscasse a presença do Senhor.
- Mas, ainda que possamos contemplar este distanciamento físico de Elias e dos demais que serviam a Deus naquele tempo, devemos ter como lição para os nossos dias deste comportamento do profeta não o distanciamento físico, mas, sim, o distanciamento espiritual. Embora muitos tenham se inspirado em Elias para tomar uma decisão de se apartar da sociedade a fim de servir a Deus, a lição que o profeta nos deixa é bem outra: é a da separação do mundo espiritual, da separação do pecado. Na nova aliança estabelecida por Jesus Cristo, não há espaço para “eremitas”, para pessoas que saem da sociedade para servir a Deus mas, sim, pessoas que, a exemplo de Jesus, estão completamente separadas do pecado, mas vive no meio dos pecadores, para “…salvar alguns, arrebatando-os do fogo” (Jd.23 “in initio”, isto é, a parte inicial do versículo). Jesus disse que não somos do mundo, não podemos nos comprometer com ele (Jo.17:16), mas não pediu que do mundo fôssemos tirados(Jo.17:15), porque é necessário que sejamos sal da terra e luz do mundo (Mt.5:13,14).
- A outra lição que aprendemos com Elias, já neste instante em que ele surge nas Escrituras, é de que devemos estar sempre comprometidos com o estudo da Palavra de Deus, com a busca da presença de Deus. Elias tinha um carinho especial com os “filhos dos profetas”, com aqueles que, em meio a um mundo tão distante de Deus, dedicavam suas vidas para servir ao Senhor e informar-se a respeito da Sua Palavra. Devemos ter este mesmo compromisso, devemos nos aliar àqueles que têm este mesmo propósito. Ao nos reunirmos em classe, a cada Escola Bíblica Dominical, pomos em prática este exemplo deixado por Elias e, certamente, agradamos a Deus tanto quanto o profeta Lhe agradou no seu tempo.
- Elias surge no texto sagrado já desempenhando uma tarefa toda especial da parte de Deus. As Escrituras sempre mostram Elias na execução de uma tarefa, no desempenho de um encargo que lhe fora confiado pelo Senhor. Neste ponto, há até um paralelo entre a forma como se narra a história de Elias e como Marcos, o evangelista, narrou o ministério de Jesus, que, naquele livro, é apresentado como o incansável servo do Senhor, como um homem de ações e de atitudes.
- Impulsionado pelo Espírito de Deus, Elias se apresenta diante do rei Acabe e declara que não haveria nem chuva nem orvalho enquanto o próprio profeta não o pedisse a Deus(I Rs.17:1). Numa frase tão curta e sucinta, como é este versículo das Escrituras, encontramos um exercício imenso de fé, a conclusão de um processo que não deve ter sido simples. Elias, um profeta que vivia retirado da sociedade, é levado pelo Espírito a se apresentar nada mais nada menos que diante do próprio rei e a dizer que haveria uma grande seca até o instante em que ele pedisse a Deus que chovesse. Que coragem da parte do profeta! Que determinação, ou seja, que disposição firme de cumprir a Palavra de Deus!
- Aliás, aqui é oportuno mostrar que, quando se diz que Elias foi determinado, que nele era grande a determinação, estamos a utilizar a palavra “determinação” no seu significado correto e prescrito nos dicionários de língua portuguesa, ou seja, “forte inclinação a ser persistente no que se quer alcançar”. Assim, esta “determinação” nada tem que ver com o que têm ensinado os defensores da chamada “doutrina da confissão positiva”, entendida como uma “fé real”, uma “tomada de posse de bênção”, uma “exigência ao inimigo para nos obedecer”. Elias jamais foi alguém que tenha “determinado” neste sentido distorcido que nos é apresentado pelos arautos da “confissão positiva”, mas uma pessoa “determinada”, ou seja, disposta a persistir no cumprimento das ordens que lhe deu o Senhor.
- Elias simplesmente disse ao rei Acabe que não choveria nem haveria orvalho enquanto ele não orasse a Deus neste sentido. Nesta primeira palavra de Elias já se nota a missão que incumbiria ao profeta: mostrar que o Senhor era o verdadeiro Deus e não Baal. Baal era uma divindade que se entendia ser a controladora da natureza. A Baal se atribuía a fertilidade, ou seja, não só a reprodução dos animais, mas também a produção agrícola. Por isso, Baal era tido como o responsável pelas chuvas que permitiam as fartas colheitas e era costume entre os povos cananeus, inclusive os fenícios, procurar agradar a Baal e ter pequenas estatuetas deste deus e de Asera, a deusa da fertilidade, como forma de obter o favor deste deus e, assim, prosperidade na colheita. Ao dizer que não choveria até que houvesse um pedido do profeta a Deus, o Senhor está mostrando que é maior que Baal,  que Ele, e não esta falsa divindade, tinha o controle sobre a natureza.
OBS: Como era e é comum nos cultos idolátricos, a divindade é sempre associada a alguma imagem ou a alguns locais. Assim, Baal e Asera eram cultuados sob vários nomes, conforme o local onde se dava o culto, com uma ou outra variação nas crendices e nas lendas a respeito da divindade. Nos dias de Elias, o culto a Baal certamente estava vinculado a Baal-Mecarte, o deus de Tiro e de Sidom (Tiro foi uma cidade fundada pelos sidônios – Is.23:12).
- Assim que proferiu esta palavra ao rei, Elias foi orientado pelo Senhor para que saísse dos termos de Israel e fosse para o ribeiro de Querite, que estava diante do Jordão (I Rs.17:3). Como afirma R.N. Champlin, esta ordem divina tinha a ver com a proclamação dada por Elias e que “…sem dúvida alguma, isso provocou uma tremenda agitação e a vida de Elias começou a correr perigo…” (CHAMPLIN, Elias. In: Dicionário de Bíblia, Teologia e Filosofia, v.2, p.328).
- Elias, que até então, havia demonstrado dedicação a Deus, vivendo distanciado fisicamente de uma sociedade ímpia e buscando a presença do Senhor, juntamente com os “filhos dos profetas”, passa a ter a experiência da dependência completa de Deus. Denunciar o pecado e anunciar o juízo divino não é uma tarefa fácil e o serviço a Deus traz inevitável aborrecimento do mundo e dos pecadores. Não pensemos nós que servir ao Senhor é alcançar popularidade, respeito e medo dos ímpios, mas, bem ao contrário, é acirrar os ânimos das hostes espirituais da maldade contra nós. Deus mandou que Elias fugisse e fosse até um ribeiro, provavelmente situado na região de Gileade, para que ali ficasse protegido e não sofresse os danos da seca que havia anunciado.
- Temos uma outra importante lição, qual seja, a de que Deus é o garantidor do cumprimento da Sua Palavra. Certamente não foi fácil para Elias acatar a ordem divina de desafiar o próprio rei, mas, ao fazê-lo, Deus, que bem sabia os riscos que o profeta passava a correr, encarregou-Se de providenciar ao profeta proteção e sustento, já que o juízo divino afetaria a própria subsistência do povo.
- Deus passou a sustentar o profeta que, junto a um ribeiro, onde havia água necessária à sua sobrevivência, passou a ser alimentado por corvos, que lhe traziam pão e carne pela manhã e pela noite (I Rs.17:6). Como diz o apóstolo Paulo, “…Deus escolheu as coisas loucas deste mundo para confundir as sábias, e Deus escolheu as coisas fracas deste mundo para confundir as fortes, e Deus escolheu as coisas vis deste mundo e as desprezíveis, e as que não são, para aniquilar as que são: para que nenhuma carne se glorie perante Ele” (I Co.1:27-29). Como poderia Elias ser alimentado por corvos, animais que são conhecidos por serem decompositores, ou seja, que se alimentam daquilo que está apodrecendo, daquilo que está se desfazendo, e num momento em que passou a haver escassez de alimentos? Como ser alimentado por um animal tão asqueroso, tão repugnante? Entretanto, como disse o Senhor, havia sido dada uma ordem aos corvos para alimentar o profeta e, ante a ordem divina, não há como haver recusa.
- Elias, toda manhã e toda noite, era servido pelos corvos, que, pontualmente, cumpriam a ordem do Senhor. Deus, assim, mostrava, duas vezes ao dia, ao profeta que estava no controle de todas as coisas, que toda a natureza estava sob as Suas ordens. Era uma experiência singular para Elias, que tinha de enfrentar o culto a Baal, apresentado como “deus da natureza”. Elias não só deveria saber intelectualmente que Deus era o único Senhor, mas também precisaria vivenciar, experimentar esta realidade. Muitas coisas por que passamos, ao longo da vida, tem este objetivo da parte de Deus: fazer-nos vivenciar, experimentar quem é Deus e qual é o Seu poder. Nunca nos esqueçamos de que, quando a Bíblia fala em “conhecer a Deus”, não está se referindo ao significado grego, adotado por nós na atualidade, de “domínio intelectual”, mas, sim, o de “ter intimidade”, “ter experiência”. E, como diz Paulo, a experiência com Deus é o resultado da paciência, que, por sua vez, é conseqüência da tribulação (Rm.5:3,4).
- Dia após dia, Elias era alimentado pelos corvos, mas a seca que anunciara já era uma realidade. Por isso, dia após dia, as águas do ribeiro de Querite iam minguando, até o momento em que o ribeiro secou. Deus continuava a agir na vida de Elias, demonstrando que tinha o controle da situação, mas que estava a guardar o profeta e só a ele. Os corvos vinham lhe trazer comida, mas o ribeiro se secava, em cumprimento à palavra do profeta, que tudo dissera em nome do Senhor. Deus tem compromisso com a Sua Palavra (Jr.1:12) e não a invalidará, ainda que isto representasse a proteção e o sustento dos Seus servos fiéis. Deus não precisa invalidar a Sua Palavra para guardar os Seus!
- Quando o ribeiro secou, Deus, então, mandou que o profeta fosse para Zarefate, cidade pertencente a Sidom, pois o Senhor havia ordenado a uma viúva que sustentasse o profeta (I Rs.17:9). Vemos, aqui, que Deus, depois de mostrar que tinha controle sobre a natureza, estava agora a mostrar ao profeta que também era o controlador da humanidade e das estruturas sociais.
- Em primeiro lugar, Deus manda que Elias deixe a região de sua morada, a região de Gileade, região que lhe era conhecida, para que fosse a uma terra estrangeira, um lugar desconhecido, de outros costumes, onde o profeta não poderia se valer de seus conhecimentos de vida. Tratava-se de mais um passo de fé que se exigia do profeta, prova de que Elias havia galgado mais um patamar da vida espiritual. Como diz o apóstolo Tiago, quanto mais nos chegamos a Deus, mais Ele Se chega até nós (Tg.4:8). Entretanto, esta aproximação com Deus, que é sempre boa (Sl.73:28), exige de cada um de nós um desprendimento cada vez maior. Quando nos propomos a prosseguir no conhecimento de Deus (e conhecimento, lembremos, na Bíblia é ter intimidade, ter experiência), mais nos envolveremos com o Senhor e isto fará com que necessitemos confiar mais nEle. O profeta Oséias ressalta esta realidade ao dizer que, quando iniciamos nosso conhecimento com Deus, Ele nos aparece “como a alva”, ou seja, como a luz da aurora, que traz seu brilho mas é, de certa forma, distante, mas, na continuidade deste conhecimento, o Senhor “…virá a nós como a chuva, como chuva serôdia que rega a terra” (Os.6:3 “in fine”), ou seja, já não estará mais distante, estará em nós, envolver-nos-á, como a chuva da época da colheita, a chuva abundante, que tudo molhava, que embebia e encharcava a terra.
- Deus, ao mandar que Elias deixasse sua região e fosse para uma terra estrangeira, estava a mostrar que domina todas as sociedades, todos os povos, que não é apenas um “deus nacional”, como se apresentava Baal-Mecarte, mas o Senhor de toda a Terra (Ex.19:5; Sl.24:1).
- Em segundo lugar, ao mandar que Elias fosse para Zarefate, uma cidade sob o domínio de Sidom, o Senhor dava mais uma demonstração de sua superioridade em relação a Baal. Ora, Sidom era, precisamente, o reino que cultuava a Baal-Mecarte. Jezabel era filha do rei de Sidom e, portanto, Deus iria providenciar, nas próprias terras dedicadas a Baal, a sobrevivência do Seu profeta. Deus mostrava que tinha domínio sobre todas as estruturas políticas do mundo, passando a sustentar o Seu profeta na “terra do inimigo”. Por isso, não devemos temer “as investidas do vil Tentador”, porque, mesmo neste mundo que repousa no colo do diabo, quem tem o controle da situação é o nosso Deus. Aleluia!
- Em terceiro lugar, ao mandar que Elias fosse até o encontro de uma viúva, o Senhor também estava a mostrar que tinha pleno controle sobre a situação sócio-econômica das sociedades. Zarefate era uma cidade dominada por Sidom e, já por isso, uma cidade modesta, certamente de parcos recursos, visto que as cidades dominadas por outras eram tributárias, ou seja, deviam pagar pesadas somas periodicamente a seus dominadores. Além do mais, tratava-se de uma viúva e as viúvas, via de regra, eram pessoas necessitadas, que se encontram entre os mais desprovidos de recursos econômico-financeiros, que viviam da caridade pública. Entretanto, este Deus que escolhe as coisas loucas para confundir as sábias, fez com que o profeta passasse a ser sustentado, na terra de Sidom, por uma viúva miserável. A cada instante, Elias aprendia o significado do seu próprio nome: “Javé é Deus”.
- Como já havia experimentado a Providência divina, o profeta pôde, com autoridade, mandar à viúva, que encontrou apanhando lenha, que lhe trouxesse um vaso com pouco d’água para que bebesse e, depois, lhe pediu um bocado de pão. Ante a afirmativa da mulher de que não tinha senão o suficiente para uma última refeição, o profeta mandou-lhe que fizesse, primeiro, um bolo pequeno para ele e, depois, então, preparasse alimento a ela e a seu filho, pois, enquanto não chovesse, haveria alimento para eles (I Rs.17:14,15). Elias já sabia que Deus garantiria a sua sobrevivência e se havia ordenado que aquela viúva lhe sustentasse, esta garantia se estendia também a casa dela.
- Mas, as experiências com Deus ainda não haviam cessado. Baal, também, era tido como o deus da saúde. Aliás, em Sidom, Baal era conhecido como Eshmun, o deus da saúde. Deus deveria, pois, demonstrar não só a Elias, mas à própria viúva de Zarefate, que Deus era o Senhor da saúde. Assim, o filho da viúva adoeceu, doença que se agravou e que levou o filho da viúva à morte(I Rs.17:17). Apesar de sustentada pelo poder do Deus dos hebreus, a viúva, ela própria uma gentia, não hesitou em culpar o profeta pela morte de seu filho, como se fosse uma vingança de Baal contra o fato de a viúva estar a acolher um israelita em sua casa.
- Desafiado pela viúva, o profeta demonstrou, uma vez mais, a sua fé. Pediu o corpo do filho e o levou para o seu quarto, onde, em particular, clamou ao Senhor, pedindo que se restituísse a vida ao morto. É interessante notar que, até este instante, não havia qualquer relato de ressurreição de mortos em Israel. Elias será o primeiro a fazer um milagre desta natureza, a revelar como estava alto o seu nível espiritual, como estava a saber quem era Deus e do que Ele era capaz de fazer. E a Bíblia nos diz que “o Senhor ouviu a voz de Elias e a alma do menino tornou a entrar nele e reviveu” (I Rs.17:22). O resultado deste milagre foi o reconhecimento, pela viúva, de que “Javé é Deus” e de que Elias era o Seu legítimo profeta (I Rs.17:24).
- O milagre da ressurreição do filho da viúva de Zarefate é o primeiro caso de “ressurreição de mortos” registro nas Escrituras Sagradas e teve como objetivo a glorificação do nome do Senhor e a demonstração de que Ele é o verdadeiro Deus e não Baal, que, como deus da saúde, não tinha podido impedir o filho da viúva de adoecer, nem tampouco pôde restituir a vida ao moço, algo que também era atribuído a Baal, que dizia ser o responsável pelo “renascimento” da natureza após o inverno, após uma luta em que sempre conseguia vencer o “deus da morte”. Vemos, assim, que a experiência inédita de Elias tinha como propósito a exaltação do nome do Senhor e a consolidação da necessária experiência pessoal que Elias tinha de ter com Deus, para ter plena certeza de que “Javé é Deus”.
II – A BIOGRAFIA DE ELIAS (II) – O PROFETA QUE ENFRENTA A APOSTASIA NACIONAL
- Após a ressurreição do filho da viúva de Zarefate, Elias havia concluído o período de aprendizado sobre a superioridade de Deus sobre Baal. Devidamente experimentado na sua vida com Deus, durante três anos e seis meses (cf. Tg.5:17), estava pronto para um novo embate com o rei Acabe. A seca era terrível, cumpria-se à risca o que havia sido profetizado por Elias e, então, o Senhor mandou que o profeta, uma vez mais, se apresentasse diante de Acabe, porque chegara o momento de chover sobre a terra (I Rs.18:1).
OBS: É interessante notar que Flávio Josefo faz questão de comprovar a historicidade desta seca. Assim relata o historiador judeu: “…aquela prolongada seca, de que o historiador Menandro fala quando narra os feitos de Etbaal, rei dos tírios [pai de Jezabel, observação nossa], assim: Houve naquele tempo uma grande seca que durou desde o mês de Hiperbereteu até o mesmo mês, no ano seguinte. Esse soberano mandou fazer grandes preces e foram elas seguidas de um grande trovão. Foi ele que mandou construir as cidades de Botris, na Fenícia e a de Auzate, na África. Estas palavras se referem, sem dúvida, a esta seca, que aconteceu no reinado do rei Acabe, pois Etbaal reinava em Tiro, nesse mesmo tempo.…” (JOSEFO, Antigüidades Judaicas 8,359. In: História dos Hebreus. Trad. Vicente Pedroso, v.1, p.192).
- Quando ia em direção a Acabe, Elias se encontrou com o mordomo do rei, Obadias, que era uma pessoa temente a Deus, o qual, inclusive, havia escondido profetas do Senhor em cavernas e providenciado o seu sustento em meio a grande seca e à implacável perseguição desenvolvida por Acabe contra os servos de Deus. Este relato bíblico mostra-nos que Deus não só havia cuidado de Elias, como também de todos os Seus profetas, mostrando que havia absoluto controle divino sobre toda a situação. Deus não muda e continua a guardar os Seus servos, o Seu povo em meio aos dias trabalhosos e difíceis que estamos a viver. Basta apenas que temamos a Deus e que estejamos dispostos a servi-lO e a fazer o que Ele nos manda, sem nos importarmos com as circunstâncias ou os possíveis riscos. Obadias, apesar do cargo que ocupava, era um homem temente a Deus e, pela obra do Senhor, não tinha por valiosa a sua posição social (I Rs.18:3,4).
- Ao se encontrar com Obadias, Elias fica a saber que o rei Acabe o havia procurado em todos os lugares, a demonstrar, mais uma vez, que o Senhor o havia escondido, o havia não só sustentado, mas também protegido (I Rs.18:10). Também foi cientificado de que não era o único a ter obtido a proteção e sustento da parte de Deus, que os profetas, aqueles com quem Elias tinha tanto cuidado, também haviam sido guardados, pela mão de Obadias.
- O encontro entre Elias e Acabe bem mostra como não há comunhão entre a luz e as trevas (II Co.6:14). Elias havia profetizado e a profecia se cumpria integralmente, o que mostrava ser ele um profeta que vinha da parte de Deus (Dt.18:21,22). Deveria, pois, o rei Acabe respeitá-lo, considerá-lo. Mas, pelo contrário, ao se encontrar com Elias, o rei o chama de “o perturbador de Israel” (I Rs.18:17). Assim é o mundo, assim são os ímpios: eles aborrecem os servos do Senhor, consideram-nos um estorvo, um obstáculo, um impecilho. Jamais nos tratarão bem, jamais reconhecerão a nossa santidade e a nossa condição de filhos de Deus.
- Não nos iludamos, os homens sem Deus e sem salvação nunca nos darão valor, nunca falarão bem de nós. São palavras do Senhor Jesus: “Se o mundo vos aborrece, sabei que, primeiro do que a vós, me aborreceu a mim.  Se vós fôsseis do mundo, o mundo amaria o que era seu, mas, porque não sois do mundo, antes eu vos escolhi do mundo, por isso é que o mundo vos aborrece” (Jo.15:18,19). Há muitos que querem agradar aos homens, que se preocupam em ser “populares”, “simpáticos”, “enturmados”, mas não cedamos a esta tentação. O servo de Deus jamais será visto com simpatia pelo mundo pecador. Se, por um acaso, temos querido popularidade e simpatia e a tenhamos alcançado, ouçamos o que diz o Senhor: “Ai de vós quando todos os homens falarem bem de vós, porque assim faziam seus pais aos falsos profetas!” (Lc.6:26).
- O profeta Elias, porém, não se abateu por causa desta ofensa, desta palavra mentirosa do rei, como também não ficou preocupado pelo fato de o rei lhe ser hostil (ninguém pense que este encontro se deu a sós. O rei, certamente, fazia-se acompanhar de sua guarda pessoal, enquanto que Elias estava só). Antes, com autoridade, disse que quem era o perturbador de Isael era o próprio rei, uma vez que ele havia deixado os mandamentos do Senhor e seguido a Baal e, devidamente orientado por Deus, lançou o desafio da reunião de todos no monte Carmelo, a fim de que se demonstrasse quem é o verdadeiro Deus(I Rs.18:19,20). Devidamente experimentado e tendo vivido que Deus é o único Deus, Elias poderia lançar este desafio, a fim de proclamar a todo o povo o que havia aprendido.
- Esta necessária experiência pessoal com Deus e o decorrente crescimento espiritual é ainda um requisito para podermos proclamar, com efetividade, a palavra de Deus. Não se pode pregar eficazmente o Evangelho sem que, antes, tenhamos tido um contacto intelectual com ele, bem como que tenhamos uma experiência pessoal com o Senhor. Não foi por outro motivo que Jesus preparou, durante mais de três anos (praticamente o mesmo tempo da seca do tempo de Elias) os Seus discípulos e, depois, mandou que esperassem o revestimento de poder para iniciar a evangelização. Um dos grandes problemas dos nossos dias é este descuido da preparação doutrinária e espiritual dos que querem anunciar a Palavra do Senhor, fazendo com que neófitos se desincumbam desta tarefa, causando prejuízo a si mesmos e à Igreja (I Tm.3:6).
- O povo se reuniu e Elias, sem medo, apresentou-se ao povo, exigindo dele uma definição. “Até quando coxeareis entre dois pensamentos? Se o Senhor é Deus, segui-O e, se é Baal, segui-o.” (I Rs.18:21). O grande mal espiritual do povo era a vacilação, a dúvida, a incerteza. Tudo o que não provém de fé é pecado (Rm.14:23 ARA). Nas Escrituras, sempre o Senhor nos recomenda a abandonarmos a vacilação, considerada sempre uma situação espiritual de letargia, de imobilismo, uma condição de fracasso e morte espirituais (Is.51:17,22). “Vacilar” é tremer, abalar-se, hesitar, duvidar. Nunca podemos agir em relação a Deus, “…porque o que duvida é semelhante à onda do mar, que é levada pelo vento, e lançada de uma para outra parte. Não pense tal homem que receberá do Senhor alguma coisa. O homem de coração dobre é inconstante em todos os seus caminhos” (Tg.1:6b-8).
- Quantos que, atualmente, nas igrejas, têm vacilado, duvidado da Palavra de Deus, do poder do Senhor. Envolvidos com as coisas deste mundo, sem meditar nem estudar as Escrituras, não mantendo uma vida de oração, enfim, sem ter experiência com Deus, encontram-se na mesma situação do povo de Israel nos dias de Elias. Apesar da grande demonstração do poder de Deus, numa seca que já durava três anos e seis meses, numa clara prova de que Baal não era deus algum, não detinha controle algum sobre a natureza, o povo ainda estava coxeando entre dois pensamentos, preferindo as benesses do poder oferecidas por Jezabel no culto a Baal, bem como as seduções deste culto, que era um culto sensual, depravado e repleto de tudo aquilo que agradava a natureza pecaminosa do homem. Dinheiro, prazer, posição social eram ofertados pelos baalim e, assim, muitos, apesar de todas as evidências do poder do Senhor, continuavam titubeantes e, neste duvidar, acabavam sendo arrastados pela idolatria.
- Os dias em que vivemos não são diferentes. Embora não haja uma alusão explícita das Escrituras aos “dias de Elias”, como os há em relação aos “dias de Noé” e aos “dias de Ló”, o fato é que os dias que antecedem imediatamente aos da vinda de Cristo também são dias de dúvida, perplexidade e de vacilação em grande parte do povo de Deus. O próprio Jesus disse, ao se referir a estes dias, afirma, num tom que nos exige uma rigorosa auto-análise: “…Quando, porém, vier o Filho do Homem, porventura, achará fé na terra?” (Lc.18:8b).
- Israel vivia, nos dias de Elias, uma verdadeira “apostasia nacional”, pois todo o país estava se enveredando pelo culto a Baal. O próprio Deus diria a Elias, pouco depois, que apenas sete mil pessoas não haviam dobrado seus joelhos a Baal nem o haviam beijado, um número bem diminuto frente a uma população que deveria ser bem maior (I Rs.19:18). Estes sete mil, como bem explica o apóstolo Paulo, representam os remanescentes do povo de Deus (Rm.11:4), remanescente que também existe na Igreja (Ap.2:13,24; 3:4). São muitos, portanto, aqueles que se deixam levar, atualmente, pela vacilação e que, por isso, perderão a salvação. Que Deus nos guarde!
- O desafio de Elias foi apresentado: o Deus verdadeiro deveria responder com fogo a aceitação do sacrifício que Lhe fosse dado. Elias tinha experimentado o pleno domínio de Deus sobre a natureza e tinha, assim, portanto, convicção de que somente Deus responderia com fogo a um sacrifício. Os profetas de Baal e de Asera, num total de oitocentos e cinqüenta (I Rs.18:19), tentaram, durante toda a manhã, resposta de seus deuses para o sacrifício, sem resultado.
- Elias, então, depois que havia deixado tempo suficiente para que Baal respondesse ao sacrifício, oferece o seu sacrifício diante de Deus. Como Deus não é Deus de confusão (I Co.14:33), reparou o altar, que estava quebrado, bem como pôs água abundante para que não houvesse qualquer dúvida de que era Deus quem iria operar. Este cuidado do profeta é um exemplo a seguirmos na atualidade: a operação de Deus é algo de que devemos ter certeza e convicção. Por isso, nada deve ser feito sem a devida preparação espiritual, a devida santificação (o reparo do altar), como também tudo deve ser feito às claras diante do povo, com transparência, decência e ordem (I Co.14:40). Quantos altares desmantelados na atualidade têm buscado o “fogo divino” e, como Deus não opera em lugares assim, recorrem a subterfúgios, a astuciosos estratagemas para impressionar o povo. Entretanto, não nos iludamos, Deus não é Deus de confusão.
- Mas, além de ter reparado o altar e não deixado margem a qualquer dúvida, Elias fez uma oração. Elias não “determinou” coisa alguma a Deus, pois sua “determinação”, como vimos, é a disposição firme de servir a Deus, não qualquer exigência que devesse ser feita, como muitos iludidos atrevem-se a fazer em os nossos dias. Elias fez uma oração, um pedido a Deus, reconhecendo a Sua soberania, o Seu senhorio. Ele poderia chamar Deus de Senhor, porque havia experimentado o controle de Deus sobre todas as coisas: o corvo, a panela da viúva, a vida do filho da viúva. Relembrou ao povo, que o escutava, que Deus era o Deus do pacto feito com os patriarcas, o Deus que havia formado a nação de Israel e que ele, Elias, era tão somente um servo dEle. Mal acabou a oração, o Senhor consumiu tudo com o fogo e o povo não teve mais dúvida alguma: só o Senhor é Deus! (I Rs.18:36-39).
- Em meio a este triunfo espiritual, o zelo do profeta se mostrou. Elias mandou que os profetas de Baal e de Asera fossem mortos e, incontinenti, o povo lhe obedeceu, levando-os ao ribeiro de Quisom, situado ao pé do monte Carmelo, onde matou a todos os profetas. Em seguida, avisou o rei Acabe para que se apressasse e fosse comer e beber, porque ruído havia de uma abundante chuva (I Rs.18:40,41).
- Enquanto Acabe foi comer e beber, Elias foi orar. Aqui, mais uma vez, vemos como eram diferentes estes dois homens e como são diferentes, até os dias de hoje, aquele que serve a Deus e aquele que não O serve. Acabe, ante tamanha demonstração do poder de Deus, deveria se arrepender dos seus maus caminhos e tornar a servir ao Senhor. Mas, antes disso, resolveu comer e beber, continuar com a sua vida regalada, indiferente a Deus e a tudo quanto lembrasse o Senhor, entre os quais, o próprio sofrimento do povo, que padecia fome e sede por causa da seca. Acabe, porém, não se importava com o povo, mas única e exclusivamente com o seu bem-estar. É este, lamentavelmente, o comportamento de muitos que estão à frente do povo de Deus, que se importam apenas em “subir, comer e beber”, enquanto o povo passa necessidade.
- Ainda bem que, enquanto os Acabes comem e bebem, ainda existem os Elias que vão buscar a Deus. Elias estava cheio de fé, havia sido usado por Deus maravilhosamente, fogo havia descido do céu, consumido o altar além do próprio sacrifício, mas, quando foi orar, e orando com fé pois já sentia o ruído duma abundante chuva, nada aconteceu. Com rosto em terra, clamando ao Senhor, foram necessárias sete vezes até que no céu surgisse uma pequenina nuvem como u’a mão. Deus ensinava a Elias uma vez mais: o servo nunca deve deixar de perseverar e ser persistente. Deus não está preso ao homem. Se o fogo veio antes mesmo que a oração acabasse, agora foram necessárias sete orações para que o pedido fosse atendido, pedido, aliás, que Deus já havia dito, antes que tudo começasse, que haveria de acontecer (cf. I Rs.18:1).
- Deus é o Senhor, que, aliás, é o significado do nome de Elias. Assim como Deus atendeu a Elias incontinenti para mandar fogo, exigiu dele mais insistência para mandar a tão esperada chuva, chuva que começou numa pequenina nuvem na forma de u’a mão, para mostrar que era a mão do Senhor que estava sobre Elias (I Rs.18:46), que continuava a ser um simples homem, como qualquer um de nós (Tg.5:17).
- Por isso, não temos como admitir em nosso meio as famigeradas “campanhas”, que têm proliferado nas igrejas, impondo ao Senhor “sete sextas-feiras”, “quarenta segundas-feiras”, “vinte e uma semanas” e tantas invencionices para que a obra seja realizada. Isto é um absurdo e, com Elias, nós temos de aprender que “Javé é Deus”, que é o Senhor quem opera, quando, como e onde quer. Devemos pedir insistentemente, de modo ininterrupto, como ensinou Jesus (Mt.7:7,8), mas sempre se lembrando que o tempo é de Deus, bem como a vontade dEle. Abandonemos estas superstições, este paganismo que se introduziu em o nosso meio e voltemos ao que ensina as Escrituras, através do exemplo do profeta Elias.
III – A BIOGRAFIA DE ELIAS (III) – O PROFETA QUE APRENDE A VENCER A SI MESMO
- O capítulo 19 de I Reis é um daqueles capítulos que mais surpreendem o leitor da Bíblia Sagrada. Após um grande triunfo e da afirmação de que a mão de Deus estava sobre Elias, encontramos Acabe relatando todos os fatos a Jezabel que, como era previsível, mandou um mensageiro a Elias, ameaçando-lhe de morte para o dia seguinte, como retribuição pela morte dos profetas de Baal e Asera.
- Qualquer um aguardaria uma total desconsideração desta ameaça por parte do profeta, ou uma resposta duríssima sua, pois, afinal de contas, Elias estava “por cima”, vinha de uma grande demonstração do poder de Deus. Entretanto, qual foi a reação de Elias? Fugiu para Berseba, no reino de Judá (portanto fora da jurisdição de Acabe) e ali deixou o seu moço. Em seguida, sozinho, foi para o deserto, no caminho de um dia, assentou-se debaixo de um zimbro, planta que hoje é conhecida como “junipeiro” ou “giesta branca”, um arbusto atrativo, típico das regiões desérticas, que chega a ter até quatro metros de altura, cuja madeira era boa para se fazer carvão vegetal. Ali, sob esta árvore, o profeta simplesmente pediu a morte a Deus. Em vez do “campeão do monte Carmelo”, encontramos um homem deprimido, desanimado, porque havia sido ameaçado por uma mulher. Que surpresa tem o leitor!
- A mão do Senhor estava sobre Elias, mas, assim que recebeu a notícia, Elias não procurou saber qual a orientação do Senhor. Até ali, Elias tudo havia feito de acordo com a ordem do Senhor. Mas, assim que recebeu a notícia do mensageiro de Jezabel, em Jizreel,para onde se deslocara para ficar junto ao rei Acabe (I Rs.18:46), o profeta não buscou a direção de Deus. Deixou, então, de ser “a boca de Deus”, para ser tão somente o “homem sujeito às paixões”.
- A prova maior disto é que, em primeiro lugar, sai do reino de Israel, dirigindo-se para Judá. Revela, neste seu gesto, que não mais aguardava a direção de Deus, desprezou, mesmo, o fato de a mão do Senhor estar sobre ele, o que poderia perceber, vez que, como profeta, tinha o Espírito do Senhor dentro dele. Tratou, em primeiro lugar, de ir para um “local seguro”, um local onde Acabe não reinasse. Preocupara-se, então, com a organização política, com o poder real, algo que, enquanto estava sob a orientação divina, nunca havia sido obstáculo para suas jornadas (lembremos que fora para Zarefate, cidade dominada por Sidom, cujo rei era o próprio pai de Jezabel, e nunca fora encontrado por quem quer que fosse, apesar da insistente busca empreendida por Acabe e por Jezabel).
- Em segundo lugar, uma vez em Berseba, tratou de ali deixar o seu moço, aquele que o acompanhava. Não sabemos desde quando este moço o estava acompanhando, mas o fato é que este moço conhecia apenas o profeta, não o homem. Ao deixar ali o seu moço e seguir rumo ao deserto completamente só, Elias como que se despia de sua função profética, como que “pendurava as chuteiras” do seu ministério. O profeta ficava em Berseba. A partir daí, somente o homem sujeito às mesmas paixões que nós, o homem demasiadamente humano é que prosseguia a viagem. Mais uma vez, o profeta demonstrava estar fora da direção de Deus, porque resignava seu ofício sem ao menos perguntar a Deus o que deveria fazer.
- O resultado desta atitude de “independência” em relação a Deus não poderia ser mais desastroso. Era a depressão, o desânimo, a falta de vontade de viver. Debaixo do zimbro, vemos um homem derrotado, fracassado, única e exclusivamente porque deixou o lugar da bênção, deixou o espaço em que estava debaixo da mão do Senhor, para criar o seu próprio caminho, a sua própria vontade.
- “Há caminho que ao homem parece direito, mas o fim dele são os caminhos da morte” (Pv.14:12). “Há caminho que parece direito ao homem, mas o seu fim são os caminhos da morte” (Pv.16:25). Por duas vezes, Salomão nos dá esta advertência, cujo exemplo de Elias só faz ressaltar. Precisamos sempre estar debaixo da mão do Senhor, não podemos jamais sair da Sua direção, porque, se o fizermos, isto nos será fatal. De nada adianta termos sido “campeões de Deus”, se, no momento seguinte, deixarmos de nos orientar pelo Espírito Santo, estaremos irremediavelmente perdidos.
- Elias não esperou que Deus falasse, mas, ante o pavor repentino que dele tomou conta, por causa da ameaça de Jezabel, desesperou-se e iniciou uma jornada sem a presença de Deus, que o levou a um pé de zimbro, no meio do deserto, a pedir a morte. Que decadência espiritual, a mesma decadência a que estamos sujeitos se, também, deixarmos os “lugares celestiais em Cristo” (Ef.1:3). Por isso, o apóstolo Paulo nos recomenda a “sermos firmes e constantes, sempre abundantes na obra do Senhor, sabendo que o nosso trabalho não é vão no Senhor” (I Co.15:58b, com variação das pessoas gramaticais). Percebamos bem este conselho do apóstolo: o trabalho não é vão quando feito “no Senhor”. Se deixarmos o lugar debaixo da mão do Senhor, “o esconderijo do Altíssimo à sombra do Onipotente”, não haverá descanso, como diz o salmista no salmo 91. Devemos sempre ter o mesmo cuidado e prudência de Esdras, para somente andarmos no caminho direito, onde esteja sempre “a mão do nosso Deus” (Ed.8:21,22,31).
- Este homem sujeito às mesmas paixões que nós, este “eu” que se recusava a seguir a orientação divina é que precisava agora ter uma real experiência com Deus. O profeta já havia aprendido que “Javé é Senhor” em relação à natureza, à organização política, à estrutura sócio-econômica, mas era necessário que ele soubesse que também “Javé é Senhor” do nosso “eu”, que precisamos nos render total e absolutamente a Ele. A maior luta de um servo do Senhor é contra si mesmo, contra o seu “eu”. Para sermos valentes, precisamos vencer a nós mesmos, como diz o poeta sacro Almeida Sobrinho na última estrofe do hino 225 da Harpa Cristã.
- Quando está a pedir a morte, neste profundo estado depressivo, Elias recebe a visita de um anjo, que determinou que ele se alimentasse de um pão cozido sobre as brasas e uma botija de água. Elias atendeu à ordem angelical, mas, logo em seguida, tornou a deitar-se. Novamente, o anjo lhe determinou que se alimentasse e que retomasse o caminho, que seria mui comprido. Após ter se alimentado esta segunda vez, Elias recobrou ânimo físico e, com a força daquela comida, caminhou quarenta dias e quarenta noites, em direção a Horebe, o mesmo monte onde Deus havia Se manifestado a Moisés para a libertação do povo (I Rs.19:5-7).
- Nesta manifestação da misericórdia divina, Elias tem uma nova experiência com o Senhor. Descobre que Deus também tem controle sobre os céus. A vinda de um anjo para alimentá-lo mostra que Deus é tanto Senhor dos céus como Senhor da terra. Elias tem, assim, a revelação do Senhor dos Exércitos, dAquele que tem pleno domínio também das regiões celestiais.
- De pronto, vemos, neste instante da vida do profeta, que somente uma intervenção divina poderia retirar Elias da sua situação. Não há como vencer o “eu” que existe em nós a não ser por intermédio de uma operação divina. A salvação é fruto da graça de Deus (Ef.2:5,8), não se tendo condição alguma de se erguer espiritualmente sem a manifestação desta graça, que traz salvação a todos os homens (Tt.2:11). Apesar de todo o seu gigantismo espiritual, Elias estava prostrado e, se dependesse dele, não haveria outra perspectiva senão a morte.
- Uma vez em Horebe, Elias entra em uma caverna. A ação divina, até aquele instante, havia atingido tão somente o físico do profeta. Em vez de ir ao cume do monte para buscar a Deus, Elias esconde-se numa caverna, a denunciar o seu estado espiritual. Mas, mesmo na caverna escura, Deus nos encontra! O Senhor Se apresentou ao profeta e perguntou o que ele fazia ali. Em resposta a esta pergunta, Elias demonstra toda a força do seu “eu”. Embora tivesse sido avisado pelo mordomo real Obadias da existência de outros servos do Senhor, Elias diz que somente ele havia ficado para servir a Deus. A prevalência do “eu” impede-nos de ver a manifestação do poder de Deus ao nosso redor. Nunca estamos sós nem jamais somos os únicos a desfrutar da misericórdia divina. Devemos, sempre, considerar os outros superiores a nós mesmos (Fp.2:3), nunca devemos nos enfatuar, nos envaidecer, pois esta atitude é típica dos homens dos tempos trabalhosos, daqueles que não servem a Deus.
- Para vencer o seu “eu”, o profeta deveria ter uma nova experiência com o Senhor. Até então havia visto o Senhor que controla todas as coisas, que ordena os corvos a trazer pão e água, o azeite e a farinha da panela a se multiplicar, o filho da viúva a reviver, o fogo do céu a consumir o sacrifício e o próprio altar, o anjo a trazer alimento, o corpo de Elias a ter um miraculoso vigor que o permitiu andar pelo deserto, sem precisar se alimentar, por quarenta dias e quarenta noites. Agora, o profeta haveria de conhecer uma outra face divina: a face do amor.
- Elias é mandado sair da caverna e, no monte, ficou diante do Senhor, Senhor que fez passar um grande e forte vento que fendia os montes e que quebrava as penhas, mas, em toda esta violência, Deus não estava. Em seguida, como se fosse pouco o vento, houve um terremoto, mas ali também Deus não estava. A seguir, veio um fogo, e também o Senhor ali não estava. Deus mostrou que era o supremo controlador da natureza, mas este lado o profeta já conhecia. O que Elias ainda não conhecia era o lado amoroso do Senhor, o Deus que não só controla a natureza, nela intervindo, mas que também ama o homem. Era na voz mansa e delicada que o Senhor Se apresentou (I Rs.19:11,12).
- Novamente o profeta apresenta o seu “eu” diante do Senhor, mas este “eu” é quebrantado pela voz mansa e delicada. O Senhor mostrou ao profeta que não era ele o único servo de Deus, era ele um homem sujeito às mesmas paixões que nós, era um homem que ainda precisava fazer algo pela obra do Senhor. Deus lhe revelou, então, que caberia ainda ao seu ministério ainda três providências: a separação de pessoas escolhidas por Deus para governar sobre Israel, sobre a Síria e a continuidade do próprio ministério profético.
- A Bíblia é bem sucinta, dizendo apenas que, após estas palavras do Senhor, o profeta Elias partiu do monte Horebe (I Rs.19:19). Esta partida, contudo, tem um grande significado, pois o texto sagrado nos diz que a primeira coisa que Elias fez foi ir à busca de Eliseu, que Deus havia indicado como seu sucessor. Este gesto do profeta mostra que o seu “eu” havia sido quebrantado, que estava ele na total dependência de Deus, que voltara à direção do Espírito Santo. Ao ir atrás de Eliseu, o profeta retomava o seu ministério e se punha à disposição de Deus. Não era mais o arrogante “zeloso”, mas alguém que compreendera que era apenas um vaso de barro nas mãos do oleiro, tanto que, incontinenti, já foi em busca daquele que Deus apontara como o seu sucessor.
- O desprendimento de Elias foi tanto que observamos que das três tarefas determinadas por Deus a ele, Elias apenas cumpriu o referente à sua própria sucessão. Jeú foi ungido por ordem de Eliseu (II Rs.9:1-3), assim como Hazael, rei da Síria, foi ungido também por Eliseu (II Rs.8:13). Elias não quis para si esta honra, mas, sabedor de sua condição de simples servo de Deus, tomou a providência que lhe cabia: preparar o seu sucessor, a fim de que ele cumprisse tudo quanto havia de se fazer na obra de Deus.
- Elias compreendeu que, muitas vezes, nosso ministério não depende de nossas atitudes diretas, mas de nosso desprendimento para preparar outros para a continuidade do trabalho do Senhor. Era este o mesmo espírito que norteava a ação dos apóstolos na igreja, notadamente no caso de Paulo que, abrindo igrejas, tão logo havia condição, escolhia alguns para governá-las e prosseguia sua missão evangelizadora. Foi, também, o que fizeram os missionários Daniel Berg e Gunnar Vingren ao implantar as Assembléias de Deus no Brasil. Como seria bom se, em vez do amor ao poder e à formação de impérios eclesiásticos, as lideranças da atualidade experimentassem este mesmo quebrantamento de “eu” que o Senhor operou em Elias!
IV – A BIOGRAFIA DE ELIAS (IV): ELIAS, O PROFETA DESPRENDIDO QUE CONTINUA A DENUNCIAR O PECADO E É POUPADO DA MORTE FÍSICA
- Depois desta experiência no monte Horebe, tem início a fase final do ministério de Elias, pelo menos no que diz respeito a este período de sua vida terrena. O texto sagrado interrompe o relato da vida do profeta, no capítulo 20, para voltar a falar do rei Acabe e de sua guerra contra a Síria, quando, para confirmar a palavra que Deus havia falado a Elias, aparece um outro profeta, cujo nome não é mencionado, que faz com que o rei tenha vitória sobre os seus inimigos.
- Elias, porém, retorna ao texto sagrado, agora para trazer um duro juízo sobre Acabe, Jezabel e sua casa, por causa da morte de Nabote, uma trama engendrada por Jezabel. Acabe creu na palavra do profeta e, por isso, foi poupado de ver a destruição de sua casa em seus dias, ainda que ele mesmo viesse a sofrer o juízo de ter seu corpo dilacerado e seu sangue lambido pelos cães nas terras que haviam sido tomadas de Nabote (I Rs.21:17-29), profecia, esta, que foi integralmente cumprida (II Rs.9:36; 10:10).
- Acabe morreu, tendo, aliás, se cumprido em relação a ele o que havia falado o profeta Elias (I Rs.19:38), sendo sucedido pelo seu filho Acazias, que adoeceu e foi, então, pedir a saúde a Baal-Zebube, deus de Ecrom, que, como vimos, era o deus da saúde. Surge, então, novamente o profeta Elias, para anunciar a morte do rei. Acazias mandou, então, por três vezes, que soldados fossem prender o profeta, tendo as duas primeiras companhias militares sido consumidas pelo fogo do céu que foi invocado pelo profeta. Elias continuava a ser o profeta zeloso, mas que dependia exclusivamente do Senhor. Fogo do céu consumiu cem homens, mas tudo Elias fez pela direção do Espírito, tanto que, mesmo após terem sido consumidos cem homens, foi até a presença do rei quando o Senhor assim o determinou (II Rs.2:15).
- Elias era, então, um homem totalmente dependente nas mãos do Senhor. Vigoroso, continuava a denunciar o pecado e não compactuar com a idolatria dos seus dias. Embora se mantivesse isolado da sociedade, numa atitude que o escritor evangélico Júlio Severo bem denomina de “isolamento profético”, não deixava de denunciar o pecado e de ser usado nas mãos do Senhor para atacar os desmandos e os desvarios daqueles que estavam a desvirtuar a fé no meio do povo de Deus. Ao se apresentar ao rei Acazias, o profeta mostra toda a sua coragem e autoridade, dizendo que o rei morreria. Esta morte outro objetivo não tinha senão mostrar a todo o povo que Deus era o Senhor da vida, não Baal-Zebube. E o rei Acazias morreu, conforme a palavra do profeta (II Rs.1:17).
- O profeta, também, deixou uma mensagem escrita que foi anunciada somente depois de sua trasladação, mensagem destinada ao rei de Judá, Jeorão, filho de Josafá e sobrinho de Acabe, no qual lançou um juízo de dura enfermidade por causa da apostasia daquele rei, juízo este que se cumpriu integralmente (II Cr.21:12).
- Após mais esta atitude que fez prevalecer o nome do Senhor no meio de Israel, Elias é, então, poupado da morte, subindo ao céu, sem passar pela morte física, num redemoinho. Antes disso, porém, Elias faz um milagre, qual seja, a exemplo do que fizera Josué, atravessa o rio Jordão em seco, na companhia de Eliseu (II Rs.2:8). Ao assim agir, Elias mostrou claramente, a Eliseu e aos filhos dos profetas, que “Javé é Deus”, que tem o pleno controle da natureza.
- Este controle absoluto da natureza seria demonstrado no episódio da trasladação do próprio profeta. Elias havia pedido a morte, quando em seu momento de fragilidade, mas Deus não queria que Seu servo experimentasse a morte, ao menos neste instante histórico. Elias é levado aos céus em um redemoinho (II Rs.2:11), depois que um carro de fogo, com cavalos de fogo, separou Elias de Eliseu. Muitos, inadvertidamente, dizem que Elias subiu ao céu nesta “carruagem”, mas não é isto o que diz o texto bíblico.
- A subida de Elias ao céu num redemoinho é o coroamento de uma vida de contínua intensificação da intimidade do profeta com Deus. De experiência em experiência, Elias foi adquirindo um “status” que o fez atingir o mesmo nível de Enoque. Elias rendeu-se totalmente ao Senhor e passou a andar com Ele de modo profundo e ininterrupto e o resultado disto foi o de ter alcançado a mesma graça que Enoque, o sétimo depois de Adão, obtivera nos seus dias: o da intimidade tão estreita que fez com que Deus o tomasse de entre os viventes. Todos quantos experimentarem esta mesma intimidade também serão tomados pelo Senhor, para que habitem com Ele para todo o sempre, sendo o Seu povo e Ele, o seu Deus (Ap.21:3).
- Muitos, na atualidade, notadamente os chamados “teólogos liberais”, procuram contestar o texto sagrado, dizendo que Elias morreu, que o texto sagrado apenas faz uma descrição de como teria sido sua morte. No entanto, não podemos contender com o texto sagrado. Elias não morreu, não experimentou a morte física. A Bíblia é bem clara a este respeito e, se assim não fosse, como explicar a expectativa que os israelitas nutriam da sua volta, como vemos nos dias de Jesus? Contra o texto bíblico não podemos conjecturar e, por isso, não podemos admitir qualquer idéia em contrário.
- Muitos estudiosos da Bíblia, desde os primeiros séculos da história da Igreja, entendem que Elias será uma das duas testemunhas registradas no capítulo 11 do livro do Apocalipse, que virá pregar nos dias do Anticristo, visando o arrependimento do povo de Israel. Este pensamento está baseado em alguns pontos, a saber:
a) o ministério do profeta Elias não se encerrou, tanto que duas das três tarefas a ele cometidas, foram cumpridas por Eliseu. Tratar-se-ia, pois, de um ministério inacabado, que o foi propositadamente pelo Senhor, porque Elias haveria de voltar para concluí-lo, o que se dará na Grande Tribulação.
b) o profeta Malaquias afirma que Elias voltará antes do “grande e terrível dia do Senhor” (Ml.4:5), ou seja, antes da batalha do Armagedom, que porá fim à Grande Tribulação e instituirá o milênio. Alguns afirmam que Ml.4:5 já teria se cumprido no ministério de João Batista, conforme teria confirmado o próprio Senhor Jesus (Mt.17:12; Mc.9:13). No entanto, embora Jesus tenha dito que o Elias que haveria de vir antes de Sua primeira vinda, fosse João Batista, também afirmou que Elias viria e restauraria todas as coisas, como que indicando que o cumprimento cabal desta profecia ainda não se deu (Mt.17:11; Mc.9:12). O Elias da primeira vinda a Israel teria sido João Batista, mas o próprio Elias haveria de vir antes da segunda vinda.
c) a Bíblia diz que todos os homens foram destinados a morrer uma vez (Hb.9:27) e Deus não faz acepção de pessoas (Dt.10:17; At.10:34), sendo certo que Elias, como homem que era, pecou, necessitando, pois, morrer. Assim, sua volta na Grande Tribulação seria para o cumprimento desta ordem divina, já que as duas testemunhas serão mortas pelo Anticristo (Ap.11:7).
d) Elias encontra-se, atualmente, junto a Deus, tendo aparecido, juntamente com Moisés, no monte da Transfiguração (Mt.17:3), numa clara demonstração de que está à disposição do Senhor para realizar a Sua obra quando for o tempo.
- É interessante observar que os judeus, até o dia de hoje, aguardam a volta de Elias e, em suas cerimônias de circuncisão, sempre deixam vaga uma cadeira, que é denominada de “o lugar de Elias”. Como nos diz o escritor católico Francesco Spadafora: “…É do conhecimento geral que o profeta ‘arrebatado’ ao céu ocupa um lugar importante na haggada. Essa ilustra e amplia com elementos legendários, às vezes simplistas, e com considerações teológicas os textos bíblicos relativos à vida terrena de Elias; porém, se detém especialmente em seu arrebatamento e sua atividade celestial, sobre suas aparições na terra como benfeitor dos pobres e amigo dos humildes, como socorredor e libertador dos fiéis em toda situação extrema, como amigo dos sábios e estudiosos da Torah, devido o seu zelo por ela, e finalmente como precursor do Messias.…” (O profeta Elias. Trad. Wilmar Santin. Disponível em:
- Vista, então, a biografia de Elias, resta-nos, dentro dos objetivos do trimestre letivo da EBD, vermos no que podemos melhorar nossos caminhos diante de Deus após analisarmos a vida deste grande profeta.
- A primeira lição que temos com Elias é o chamado “isolamento profético” de que ele é um exemplo típico. Elias sempre é apresentado no texto sagrado como alguém que se mantinha à parte da sociedade, retirado, tendo um trajar diferente, a andar pelos desertos e afastado do dia-a-dia do mundo de seu tempo. Esta característica levou, inclusive, Elias a ser um exemplo para os adeptos do movimento monástico, ou seja, para aqueles que resolveram servir a Deus isolando-se do mundo, abrindo conventos e monastérios através dos séculos.
OBS: “…Aos monges, o tema do aspecto profético de sua própria vida sempre inspirou o mais vivo interesse (cf. Jean Leclercq, La via parfaite. Points de vue sur l’essence de l’état religieux, Turnhout-París 1948, cap. 2, La vie prophétique, 57-81). De fato a espiritualidade da vida de perfeição já foi preparada no AT (cf. Sœur Jeanne d’Arc, Les préparations bibliques de la vie religieuse, VS, XXIV [1956], 474-494). Os grandes profetas Elias, Eliseu e São João Batista foram considerados, junto com outros, como protótipos da vida religiosa. …” (Francesco Spadafora, op.cit.)
- No entanto, o “isolamento profético” não pode ser considerado um modelo no sentido físico, mas, sim, sob o seu aspecto espiritual. Como ensina o escrito evangélico Júlio Severo, “a característica fundamental do estilo de vida profético de Elias, que entrará em ação nos últimos dias, é o isolamento profético. Elias se isolava completamente dos pecados da sociedade.(…) Em seu isolamento, Elias sempre buscava a Deus e se preparava para atender toda vez que Deus o chamava para ir ao meio da sociedade e confrontar seus líderes políticos e valores errados.…” (A volta do profeta Elias: o que a unção de Elias representa para as famílias e o mundo político nestes últimos dias. Disponível em: http://www.tscpulpitseries.org/portuguese/ts020213.htm Acesso em: 1 jun. 2007).
- A terceira lição que aprendemos tendo Elias como contra-exemplo é a de que não podemos ser individualistas, nem achar que o mundo gira em torno de nós. Deus e o Seu povo são maiores do que nós. Somos importantes para Deus, Deus nos ama, mas também ama outras pessoas e tem compromisso com a Sua Palavra, Palavra esta que é posta, inclusive, acima do Seu próprio nome (Sl.138:2). Assim, para reproduzir uma frase de um controvertido parlamentar brasileiro que ficou famosa, devemos nos reduzir à nossa insignificância.
- Elias deixou-se levar pelo individualismo e se apresentou como o único remanescente de Deus na terra de Israel, esquecido do mordomo Obadias e dos profetas que este havia protegido da fúria de Jezabel. Elias voltou-se única e exclusivamente para si e, portanto, não poderia exnergar a Providência Divina para com todo o povo de Israel, que era o Seu povo escolhido. Que tristeza quando esquecemos do povo de Deus e do compromisso do Senhor com este povo. Nossa mesquinhenz levar-nos-á a um completo isolamento e a uma total fraqueza. Quando pensamos só em nós mesmos, em nossos benefícios, nosso destino será o pé de zimbro no deserto, o desânimo e o fracasso e, se o Senhor não tiver misericórdia de nós, como teve com Elias, seremos um retumbante fracasso e, ante nossa inutilidade, lançados seremos nas trevas exteriores, onde há pranto e ranger de dentes. Q            eu Deus nos guarde!
- A quarta lição que tem Elias como contra-exemplo é o de querermos estabelecer o tempo de nosso ministério. Ministério é serviço e, portanto, quem determina as tarefas não é o servo, mas, sim, o senhor. Na parábola já mencionada, é o Senhor quem diz o que deve, ou não, ser feito pelo servo (Lc.17:7). Quando recebemos uma incumbência do Senhor, temos de cumpri-la, sabendo que o lugar, o tempo e o modo de fazê-lo são estabelecidos pelo Senhor, não por nós. “Sabei que o Senhor é Deus, foi Ele e não nós que nos fez povo Seu e ovelhas do Seu pasto” (Sl.100:3).
- Elias achou que seu ministério havia findado. Provara que o Senhor era Deus e matara os profetas de Baal e Asera. Para sua surpresa, o rei Acabe não havia se convertido e Jezabel, em vez de fugir para Sidom, mandou avisar Elias que o mataria. Elias entendeu, então, que seus objetivos haviam sido cumpridos e que nada mais restava fazer senão morrer. Considerara que Deus havia falhado no seu intento de destruir o culto a Baal e que não havia mais o que fazer pelo povo. Que presunção, que audácia de um simples vaso de barro, querendo determinar o que havia de fazer o oleiro! “Ai daquele que contende com o seu Criador, caco entre outros cacos de barro! Porventura, dirá o barro ao que o formou: Que fazes? Ou a tua obra: Não tens mãos?” (Is.45:9).
- Muitos estão a fazer isto na atualidade. Estabelecem o lugar, o tempo e o modo de seus ministérios, esquecidos de que são apenas servos, caco entre outros cacos de barro. Não se recordam das palavras de Paulo a Timóteo, na sua derradeira carta: “Mas tu sê sóbrio em tudo, sofre as aflições, faze a obra de um evangelista, cumpre o teu ministério” (II Tm.4:5).
- Quantas igrejas locais não têm sofrido por causa destes que, se arrogando o direito de estipular lugar, tempo e modo de seus ministérios, ficam onde Deus não quer mais que fiquem, saem de onde Deus não quer que saiam, estabelecem modos e maneiras que Deus não quer que estabeleçam. São verdadeiras pedras de tropeço, obstáculos para o bom desenvolvimento da obra do Senhor. Tais pessoas são rebeldes, desobedientes e, se não se arrependerem, terão um destino triste e lamentável (I Pe.2:6-8). Que Deus nos guarde!
- Como já dissemos supra, o fato de Elias ter deixado seu moço antes de partir para o deserto é elucidativo desta circunstância negativa. Na verdade, ao deixar o seu moço em Berseba, Elias como que renunciava a seu ministério, deixava em Berseba não só o moço, mas o profeta. Partia para o deserto apenas como um homem, como alguém despido de espiritualidade. Quantos não têm caminhado para o deserto, abandonando seu ministério, mas ainda mantendo o título e a posição na organização. Quantos não têm deixado o corpo de Cristo, embora continuem integrando o grupo social. Quantos não têm deixado a Cristo, mas têm se mantido crentes, e até “ministros”…
OBS: A idéia de que o ministério profético era totalmente independente da vontade do profeta está bem delineado neste trecho de um historiador judeu-brasileiro, que ora se transcreve: “…O conceito do profeta como ‘boca de Deus’ é antigo (Ex.7:1,2), é uma função que ele não escolhe, mas para a qual se acha designado, muitas vezes contra sua própria vontade e quase sempre para dizer o que os outros não querem ouvir. O navi [profeta em hebraico, observação nossa] é escolhido por Deus e irresistivelmente compelido a comunicar aos outros a Sua mensagem. Ele só fala quando assim mandado e, uma vez recebida a ordem, quer queira quer não, tem que falar.…” (BORGER, Uma história do povo judeu, v.1, p.94).
- A quinta e última lição negativa de Elias é a referente ao desânimo. Não podemos, em hipótese alguma, deixar que o desânimo nos atinja. Jesus mandou-nos que tivéssemos “bom ânimo” e é necessário, particularmente nos dias difíceis em que vivemos, que este ânimo seja redobrado a cada dia. O desânimo é a porta de entrada do fracasso espiritual, é a brecha para perdermos a nossa salvação. As dificuldades são crescentes, mas temos de ter ânimo, de nos esforçarmos para servir a Deus e ganhar almas para o Seu reino.
- Não podemos desfalecer, apesar das dificuldades dos nossos dias. O pecado aumenta e, por isso, tem de aumentar a denúncia contra o pecado. Ainda que haja trevas, ainda que muitos se envergonhem do Evangelho e da Palavra de Deus, devemos repetir as palavras do profeta Miquéias: “Mas, decerto, eu sou cheio da força do Espírito do SENHOR e cheio de juízo e de ânimo, para anunciar a Jacó a sua transgressão e a Israel o seu pecado” (Mq.3:8). Combatamos o bom combate até que acabemos a nossa carreira! Amém!

SERMÕES BASEADOS EM EXPERIÊNCIAS VIVIDAS PELO PROFETA ELISEU

SERMÕES BASEADOS EM EXPERIÊNCIAS VIVIDAS PELO PROFETA ELISEU

a) Seja realmente chamado por Deus  (v. 16)
            Não é o pastor quem escolhe “ser pastor”, mas Deus quem o escolhe para esta obra.  Jesus deixa claro isto em João 15:16 Vós não me escolhestes... mas eu vos escolhi a vós...  O Senhor da Igreja é quem escolhe e dá o dom ao servo para exercer este ministério (Efésios 4:10 e 11).

 b)  Seja predisposto ao trabalho árduo  (v. 19)
            Elias encontrou o profeta escolhido por Deus no árduo trabalho de arar a terra.  Igualmente, o ministério exige, sempre, árdua labuta.  Jesus mesmo usou metáforas de trabalhos árduos para referir-se ao ministério:  apascentar ovelhas, lançar mão do arado, pescar, cingir-se de madrugada, etc.  Na carta-testamento de II Timóteo, o apóstolo Paulo refere-se várias vezes ao seu próprio sofrimento e conclama seu filho na fé a participar dos sofrimentos inerentes ao ministério (1:8, 12, 2:3, 4:5).

 c) Dê prioridade ao Senhor e sua obra  (v. 20)
            Podemos comparar a atitude de Eliseu com a do homem que declarou a Jesus:  Senhor, eu te seguirei;  mas deixa-me primeiro despedir-me dos que estão em minha casa  (Lucas 9:61).  Este diferencia-se de Eliseu porque desejava buscar a aprovação da família  (a palavra usada para “despedir” tem o significado de “buscar consentimento”).

 d) Seja humilde para servir ao próximo  (v. 21)
            Durante sete anos Eliseu serviu a Elias.  Em II Reis 3:11, mesmo depois da partida de Elias, Eliseu continuava a ser lembrado como aquele que deitava água nas mão de Elias.  Jesus deixou-nos exemplo ao lavar os pés dos apóstolos.  O ministério pastoral exige humildade para servir.          
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2)  CRENTES QUE FAZEM DIFERENÇA   (II Reis 2:4-11)

            Há uma quantidade de cristãos nominativos, que nenhuma diferença faz a favor do Evangelho.  Percebamos nas atitudes de Eliseu como um cristão pode constituir-se nalguém que faz diferença onde vive.

 a)  Seguindo seu mestre de perto  (vs. 4 e 6)
            Eliseu fez questão de permanecer junto de Elias durante todo o tempo.  Diferentemente dos “filhos dos profetas”, ele acompanhou seu mestre até o fim.  Igualmente, o cristão autêntico, que diferencia-se neste mundo, segue Jesus de perto.  Em Lucas 22, na narrativa da prisão de Jesus, no verso 54 lemos:  “e Pedro seguia-o de longe”.  Em seguida, o evangelista nos afirma das três negativas de Pedro para com Jesus.  Hoje, muitos há que seguem Jesus de longe e o resultado disso é escândalo para o Evangelho.

 b)  Imitando o modelo de vida de Cristo  (v. 9)
            Eliseu pediu “porção dobrada” do espírito de Elias.  Podemos entender nisto o desejo do discípulo de ser tão ou melhor do que seu mestre.  Que ousadia!  Mas o desafio que a Palavra de Deus nos coloca é justamente este:  imitar a Cristo, sendo dignos da nomenclatura “cristãos” (vide I Cor 11:1).  “A Bíblia nos ensina a nos contentarmos com o que temos, mas nunca com o que somos” (J. Blanchard).

 c)  Fazendo uso do poder de Cristo  (v. 14)
            Eliseu apropriou-se da capa de Elias e, imediatamente, usufruiu do mesmo poder que habitava em Elias ao ferir as águas do Jordão com a capa.  Em conseqüência disto os discípulos de Elias, que aguardavam ao longe, logo notaram que Eliseu fora investido pelo mesmo poder (v. 15).  Igualmente, Jesus dá-nos poder, o poder do Seu Nome!  O crente que faz diferença neste mundo é alguém que usufruiu deste poder, a exemplo da Igreja apostólica em Atos (vide Atos 3:6, 16, 16:8).
             Para que Eliseu chegasse ao ponto de ocupar a função profética antes desenvolvida por seu mestre, Elias, foram necessários sete anos de intensa convivência e aprendizado, resultando num ministério tremendamente importante na vida de Israel durante décadas.  Somos desafiados como crentes em Jesus a seguí-lo de perto, ter comunhão com Ele, conhecer sua palavra e seu modelo de vida, imitá-lo, fazer a sua obra, representá-lo como seus embaixadores.          Subir

3)  REMOVENDO A AMARGURA   (II Reis 2:19-22)

             Jericó era uma bela cidade, tinha de tudo para oferecer uma vida feliz aos seus habitantes.  Entretanto, seu povo era infeliz em virtude das “águas amargas”.  A Bíblia informa que suas águas eram péssimas (v. 19).  Igualmente há vidas preciosas na Igreja do Senhor que, embora agraciadas com beleza, inteligência e capacidade, padecem da “amargura de coração”.

a) Amargura: um mal que aflige crentes! 
            
Convivemos em comunidade e não é raro que conflitos, desavenças, ressentimentos, se desenvolvam e contaminem o coração do crente com amargura.  Daí a Bíblia conter fatura de admoestações acerca da necessidade de “tirar do nosso meio toda amargura” (Efésios 4:31), de “não deixar que a raiz de amargura brote e contamine” (Hebreus 12:15).  O motivo pelo qual precisamos afastar a amargura de nós é claro: esterilidade.

b) O resultado da amargura:  esterilidade  (v. 19) 
            
Assim como em Jericó, cidade tão “agradável”, conforme o testemunho de seus habitantes, a amargura das águas impedia a felicidade do seu povo e o crescimento da cidade, a amargura de coração remove a alegria inerente ao servo do Senhor e o priva de frutificar na obra de Cristo.  Uma alma amargurada perde até mesmo a alegria de cultuar ao Senhor! (“Se você não tem alegria na vida cristã, existe vazamento em algum lugar no seu Cristianismo” Billy Sunday). 
            
Outro aspecto a destacar é a capacidade que a amargura enraizada tem de contaminar outras vidas:  “e que nenhuma raiz de amargura, brotando, vos perturbe, e por ela muitos se contaminem” (Hebreus 12:15).  A esterilidade resultante da amargura tende a alastrar-se pela Igreja do Senhor!  É um mal terrível!  O que fazer contra isso?

c)  É preciso recorrer ao Senhor para purificar-se  (v. 21) 
            
Os habitantes de Jericó recorreram à pessoa certa.  Através de Eliseu, o Senhor operou operou o milagre da purificação daquelas águas.  É preciso recorrer à ajuda do Senhor para purificar nossas almas, nossos corações de ressentimentos e amarguras,  de ofensas que já deveriam ter sido perdoadas, de mágoas sem fundamento, de raízes que insistem em brotar e que roubam nossa alegria.
             Recorra ao Senhor e confesse a Ele a amargura que sente, a tristeza, o ressentimento, a dificuldade em perdoar...  Seja sincero diante dEle e, humildemente, peça-lhe ajuda.  Deus, então, removerá a amargura do seu coração.       Subir  

4)  A MAIS TERRÍVEL DAS BATALHAS  (II Reis 3:6-25)

                        Os reis de Israel, Judá e Edom se uniram para combater contra Moabe, que revoltara-se contra o domínio de Israel.  Três reis contra um - parecia fácil a vitória.  Porém, a vida lhes reservava uma surpresa, um obstáculo com o qual não poderiam lidar.  Você, também, mais cedo ou mais tarde, terá que reconhecer, se ainda não o fez, o maior embate da sua história.  Sua força, inteligência e recursos materiais não lhe bastam para ganhar esta luta:  a morte sempre vence os que insistem em enfrentá-la com estas armas.  O que fazer, então, para vencer a batalha contra a morte?

 a) Deus está ao alcance dos que o buscam  (v. 14)
            Não havia água para as tropas aliadas e a conclusão do rei Jeorão, de Israel, foi de que a derrota para os moabitas seria inevitável (v. 10).  Entretanto, ali estava Josafá, rei de Judá, homem que conhecia a Deus e que naquela situação desesperadora requisitou um profeta de Deus.  Avisaram-no de que Eliseu poderia ser encontrado naquela região e assim o fizeram.  Igualmente, Deus está ao alcance daqueles que o buscam e propenso a socorrê-los (vide Isaías 55:6).  Mas há uma condição para isto:
            - É PRECISO BUSCÁ-LO COM FÉ E HUMILDADE!  Deus não socorreu aos aliados por causa de Jeorão (v. 13), pois este era ímpio, idólatra.  Deus respondeu por meio de Eliseu em virtude de Josafá realmente confiar nEle (v. 14).
            E o que Deus faz por aqueles que o buscam, crédulos e humildes, para lhes dar vitória nesta batalha contra a morte?

b) Deus providenciou um rio de água da vida (v. 20)
            A ordem dada pelo profeta era que fizessem poços naquele vale.  Em nome do Senhor ele prometeu que, mesmo sem chuva, aqueles poços se encheriam de águas no dia seguinte (v. 17).  Quer surpresa, sem vento, sem chuva, conforme Deus falara, surgiu a tão preciosa água.  Jesus revelou-se como “a água da vida” (João 4:10, 7:37 e 38) e é a fé nEle que nos possibilita vencer nesta terrível batalha.  Jesus é o milagre de Deus para nos tornar vitoriosos e não somente sobre a morte, resultado do nosso pecado, mas também sobre o inimigo de nossas almas.  
            
E o que Jesus fez para nos garantir esta vitória?

 c) A função do sangue na nossa vitória  (v. 23)
            A Bíblia ensina sobre o valor do sangue derramado por Jesus na cruz, em sacrifício por nós, para salvação de quem crê  (Mateus 26:28, Atos 20:28, Romanos 5:8 e 9).  Este foi o plano traçado por Deus na eternidade para nos salvar.  Interessantemente, as águas que jorraram naquele vale da terra de Edom tinham “cor de sangue”.  Isto levou os moabitas a pensarem que as águas estavam tingidas pelo sangue derramado pelos exércitos aliados que teriam se auto-destruído (v. 22).  Afoitamente, os moabitas correram em busca dos depojos, tornando-se presas fáceis.  A cor de sangue das águas possibilitou a esmagadora vitória.  O sangue derramado na cruz é que garante nossa vitória (Romanos 8:37).
            - A DIFERENÇA ENTRE JEOVÁ E O DEUS MOABITA  (vs. 26 e 27):  A batalha encerrou-se com um incidente terrificante.  O rei Moabita, Mesa, adorador do deus Canos, desesperado pela ineficiência do seu deus, decidiu sensibilizá-lo, matando seu filho primogênito sobre o muro da cidade, em sacrifício.  Isto indignou os soldados aliados.  Que diferença...  Jeová foi quem deu seu Unigênito para morrer na cruz para nos salvar!  Basta crer e invocá-lo em oração e Ele vai ouvi-lo.
             Seja vitorioso diante desta batalha contra a morte.  Creia no poder do sangue de Jesus, confesse-o como Senhor e Salvador.  Este é o caminho para tornar-se vitorioso  (“O céu pagará qualquer prejuízo que possamos sofrer para ganhá-lo, mas nada poderá pagar o prejuízo de perdê-lo” Richard Baxter).      Subir  

5)  A PROVIDÊNCIA DIVINA  (II Reis 4:1-7)

             Quantos de nós, crentes, podemos testemunhar de como Deus é fiel em suprir nossas necessidades?  Posso me lembrar de inúmeras vezes quando provei de quão fiel é Deus em suas promessas e digo “amém” à observação de Davi:  “nunca vi desamparado o justo, nem a sua descendência a mendigar o pão” (Salmo 37:25).  Neste episódio do ministério de Eliseu encontramos um exemplo de como Deus age para sustentar seus servos.

a)  O sustento dos servos do Senhor é garantido  (v. 1)
            Aquela mulher viúva de um “filho de profeta” e seus dois filhos puderam recorrer a Eliseu na certeza de que seriam socorridos.  Afinal, o chefe daquela família fora homem temente a Deus, um servo do Senhor.  E a Bíblia diz que Deus cuida daqueles que a Ele servem e nele confiam  (vide Mateus 6:25-31,  10:29-31).  A oração é nosso recurso para encontrar auxílio divino (João 14:13, Filipenses 4:6).  Há um elemento fundamental para gozar da providência divina, sem ele as bênçãos ficam impedidas de nos alcançar: a fé.

b) Deus honra a fé dos seus servos  (vs. 4 e 6)
            O Deus Eterno se agrada da fé de seus servos (Hebreus 11:6) e a mulher que procurou Eliseu em busca de ajuda demonstrou fé diante da palavra do profeta.  Pediu emprestadas vasilhas aos visinhos e, exatamente como falara Eliseu, encheu-as de azeite miraculosamente multiplicado. A multiplicação do azeite durou até que a última das vasilhas fosse cheia;  nem mais, nem menos.
            Assim costuma Deus fazer conosco:  Ele honra nossa fé.  Jesus enfatizou esta questão, inclusive censurando seus discípulos pela “pequena fé” (Mateus 14:31).  Em Mateus 8:13 Jesus disse ao centurião que buscava cura para seu servo:  “vai-te, seja feito conforme a tua fé”.  Em Mateus 9:29 e 30  Jesus curou dois cegos dizendo:  “Faça-vos conforme a vossa fé”.  No capítulo 17 de Mateus o Senhor ensina das possibilidades de uma “fé do tamanho de um grão de mostarda”(v. 20).  Deus sustenta seus servos, na medida em que confiam nEle!
             Sirva ao Senhor fielmente.  Confie nEle e prove da fidelidade de Deus em prover nossas necessidades vitais.  Louvado Seja Deus porque, mesmo quando dormimos, Ele trabalha por nós e provê Seus filhos das bênçãos que precisamos;  sobretudo, daquelas que o dinheiro não compra (vide Salmo 127:2). 
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6)  UMA SERVA DE DEUS APROVADA  (II Reis 4:8-37)

             Por não conhecermos o nome da mulher desta história nós a chamamos de Sunamita, face ter morado em Suném, cidade que ficava entre o Monte Carmelo e a cidade de Samária.  Nesta mulher agraciada com um filho mediante um milagre, visto que seu marido era de idade avançada (v. 14), encontramos características fundamentais à mulher cristã aprovada por Deus.

a) UMA DISPOSIÇÃO PARA SERVIR  (vs. 8 a 10)
            Sendo uma mulher rica, esta serva do Senhor dispunha-se a hospedar o profeta Eliseu em sua casa, gentilmente.  Bondade, benevolência e hospitalidade são qualidades inerentes às servas de Cristo.  Seu desejo de servir era tão acentuado que chegou a prover um quarto exclusivo ao profeta (v. 10).  Assim nos acostumamos a ver as mulheres cristãs agindo para com o Senhor Jesus:  servindo-o com seus bens (Mateus 27:55, Lucas 8:2 e 3).  Além da disposição em servir na obra do Senhor encontramos outra característica cristã na Sunamita:  o discernimento.

b) A SABEDORIA NO DISCERNIMENTO  (v. 9)
            Aquela mulher foi quem alertou seu marido:  “eis que tenho observado...”, disse ela, “e eis que este... é um santo homem de Deus”.  Ela teve olhos para notar que Eliseu não era uma pessoa comum; observando-o reconheceu a presença do Espírito de Deus sobre ele.  Igualmente, a mulher cristã precisa ser sábia em observar e discernir a verdade e a vontade de Deus.  Tocante é a experiência narrada por João acerca do encontro de Maria Madalena com Jesus, à porta do sepulcro (João 20:15 e 16).  Chorava Maria Madalena por não ter encontrado o corpo de Jesus quando este lhe apareceu:  “Maria!”.  Ele falou e, imediatamente, ela o reconheceu:  “Raboni”.  A mulher cristã pode receber de Deus sabedoria e capacidade para discernir Sua vontade.  
            
A Sunamita nos apresenta ainda outra virtude da mulher cristã aprovada: seu contentamento.

c) O CONTENTAMENTO (v. 13)            Eliseu queria recompensar a Sunamita, porém, esta nada quis lhe pedir!  Embora nenhum filho tivesse, recusou perdir-lhe alguma coisa.  E olhe que Eliseu lhe ofereceu qualquer tipo de auxílio.  Podemos entender assim sua resposta:  “Eu estou contente com o que tenho”.  Da mesma forma a Palavra nos aconselha a fugir da ambição:  “Seja a vossa vida isenta de ganância, contentando-vos com o que tendes...” (Hebreus 13:5).  Que grande virtude!  Há ainda outra qualidade a destacar na Sunamita: sua confiança em Deus.

d) CONFIANÇA EM DEUS (v. 23)
            Ao ver seu filho morto a Sunamita não se desesperou, nem se revoltou, nem murmurou.  Pelo contrário, disse ela a seu marido:  “Tudo vai bem”.  Diante do infortúnio, decidiu recorrer ao profeta.  Ela não ficou a lamentar o ocorrido, mas partiu em busca de uma solução junto ao homem de Deus.  Eis aí mais uma das características da mulher cristã aprovada, a confiança no poder sem limites do nosso Deus.  Na adversidade, não lamenta, mas busca auxílio no seu Deus.
             Foi por estas qualidades que o Senhor abençoou a Sunamita, fazendo dela uma bênção até hoje.  O capítulo 8 de II Reis conta que esta mulher foi peregrinar junto com seu filho na terra dos filisteus, recomendada por Eliseu.  Passados sete anos, ao retornar, encontrou sua propriedade invadida.  A providência divina possibilitou que o rei de Israel estivesse a ouvir de Geazi, servo de Eliseu, a história dela quando chegou a Sunamita para requerer justiça.  Diante de tão grande testemunho o rei julgou com plena justiça sua causa.  Que o Senhor encha nossas Igrejas de mulheres com poderosos testemunhos de fé.     Subir
  
7)  LIDANDO COM AS ADVERSIDADES  (II Reis 4:18-37)

             Eliseu é um bom exemplo de como devemos lidar com as adversidades.  Alguns anos antes o profeta prometera à Sunamita um filho.  Posteriormente, este filho faleceu e a mulher foi ter com o profeta.  A maneira como Eliseu lidou com o problema nos ensina lições preciosas. 

a)  OS SERVOS DO SENHOR ESTÃO SUJEITOS À ADVERSIDADES (v. 27)
            Eliseu foi pego de surpresa com a fatalidade.  Deus lhe encobrira o fato.  Repentinamente o profeta foi obrigado a lidar com um grave problema: a mãe aos seus pés, amargurada, a questionar a promessa que o mesmo profeta lhe fizera acerca do menino.  Isto nos ensina que, como crentes, estamos sujeitos às interpéries, às adversidades da vida.  No entanto, nunca esqueçamos que Deus tem propósitos nas nossas adversidades (Romanos 8:28).

b) ADVERSIDADES NOS ENSINAS A ORAR E A CONFIAR NO SENHOR (v. 33)             Eliseu nos deu um grandioso exemplo de confiança e persistência na oração.  O grave problema que tinha a resolver não o desesperou.  Ao contrário, orou e perseverou em buscar no Senhor a solução:  que o menino revivesse.  A Palavra de Deus nos conclama a agir assim:  “pedi... buscai... batei...” (Mateus 7:7),  “não andeis ansiosos... antes em tudo sejam conhecidos os vossos pedidos diante de Deus pela oração...” (Filipenses 4:6).  Quando Deus nos consente uma adversidade, Seu propósito é nos ensinar a confiar nEle.

c) NOSSA VITÓRIA TESTEMUNHA DO PODER DO SENHOR  (v. 37)
            O menino reviveu às custas da oração persistente de Eliseu e, em conseqüência, o fato tem sido narrado como demonstração do poder de Deus.  Em II Reis 8, encontramos o servo de Eliseu sendo chamado à presença do rei de Israel para narrar os feitos do profeta após 7 anos deste ocorrido.  A história contada por Geazi ao rei lhe causou profunda impressão (v. 5).  Da mesma forma nossas vitórias sobre as adversidades servem de testemunho para glória do nosso Deus.
            A maneira correta de lidar com as adversidades é, fugindo da murmuração, confiar no Senhor e aprimorar-se na oração fervorosa e persistente.  Além da edificação espiritual com a qual saímos da adversidade, nossa vitória testemunha do poder do Senhor.              Subir

8)  A TENTAÇÃO DO GANHO FÁCIL  (II Reis 5:20-27) 

            Geazi, o servo de Eliseu, achou que poderia facilmente lucrar, desde que corresse até Naamã e lhe contasse uma boa e comovente história.  Ele não precisaria de toda a prata, ouro e vestidos que o general sírio trouxera e que o profeta recusara, bastariam um pouco de prata e duas vestes.  A conseqüência terrível que esta atitude de Geazi trouxe para si nos serve de alerta contra esta tentação a que estamos sujeitos.  Cuidemos de não cometer os seguintes equívocos: 

a) PENSAR QUE ‘TER’ É MAIS IMPORTANTE  (v. 20)
            Freqüentemente estamos sujeitos a pensar como Geazi, que o mais importante é ter a prata e as vestes, do que ser “irrepreensível e sincero” (Filipenses 2:15).  O Senhor Jesus lidou com esta tentação quando o Diabo o levou ao alto de um monte e, mostrando-lhe todos os reinos do mundo e a glória deles, disse-lhe:  “Tudo isto te darei, se, prostrado, me adorares” (Mateus 4:8 e 9).  A resposta de Jesus foi que somente a Deus devemos adorar e só a Ele servir.  Não importa o prejuízo financeiro e material que isto traga, primeiro devemos buscar o Rei e Sua justiça (Mateus 6:33).  Lembre-se de que o amor ao dinheiro é a raiz de toda a espécie de males e por isso muitos crentes trazem sofrimentos terríveis para suas vidas! (I Timóteo 6:10).

b) COMPROMETER O NOME DO SENHOR  (v. 26)
            O senhor de Geazi lhe perguntou:  “Porventura não foi contigo o meu coração...?  Era isto ocasião para receberes prata e roupa...?”  Geazi usara o nome de seu senhor para ludibriar Naamã.  O crente tem um Senhor, Jesus Cristo e, toda vez que cai em tentação, está comprometendo o Nome do seu Senhor!  Eis aí o escândalo.  É preciso resistir à tentação do ganho fácil para que o Nome do Senhor não seja blasfemado.

c) AS TERRÍVEIS CONSEQÜÊNCIAS DO CAIR EM TENTAÇÃO  (v. 27)
            Geazi herdou a lepra de Naamã e sua descendência também colheu das conseqüências. São as muitas dores, com as quais alguns que se desviaram da fé, foram traspassados, segundo o apóstolo Paulo em I Timóteo 6:10.  Nesta mesma carta o apóstolo escreve, no capítulo 1, sobre os que “naufragaram na fé”.  Geazi naufragou quando caiu na tentação do ganho fácil.  Isto tem que servir de alerta para você!
            Cuide-se para não cair nesta tentação.  Lembre-se de que todos estamos sujeitos a cair (I Coríntios 10:12), mas que Deus mesmo está disposto a auxiliar-nos (I Coríntios 10:13).

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Oração respondida

A fórmula da oração

Certo dia, os discípulos de Jesus ficaram maravilhados com a maneira como Ele orava. Um deles, imediatamente, pediu-lhe que os ensinasse a orar, assim como João Batista havia ensinado aos seus discípulos.

Orar de modo correto é o que fará a oração ser vitoriosa. Orar por orar não produz nenhum resultado. A oração só deve ser feita se for para ter sucesso.

Esta lição é sobre a fórmula da oração - a oração que deve ser feita para reverter uma situação considerada insolúvel.

Há que ter uma explicação para o fato de uns orarem e obterem o que desejam, enquanto outros oram e não conseguem resposta alguma. É na Palavra de Deus que vamos encontrar tal resposta.

Os heróis da fé conheciam os princípios que faziam as suas orações serem produtivas e operantes. Usando estes princípios, eles venceram reinos, praticaram a justiça, alcançaram promessas, fecharam a boca dos leões, apagaram a força do fogo, escaparam do fio da espada, da fraqueza tiraram forças, na batalha se esforçaram, puseram em fuga exércitos de estrangeiros, etc.

Que a partir desta lição não haja mais para você o dissabor de ter lutado e não ter conseguido, de ter orado e não ter obtido resposta. Que o Senhor possa sempre conduzi-lo em triunfo.

Em Cristo, R.R. Soares

Dica: passe o mouse sobre os links laranjas para ler as Passagens Bíblicas!
A oração é uma das coisas mais importantes da nossa vida. Ela é o recurso que temos nos momentos difíceis e dela todos os seres humanos fazem uso.

Apesar de tudo o que a oração é e representa para o cristão, são poucos os que sabem fazê-la. Quando os discípulos de Jesus viram que Ele obtinha sucesso em todas as suas orações, chegaram-se a Ele, e Lhe pediram que os ensinasse a orar. Certamente que existe uma maneira correta de fazer aquilo que Deus considera como oração. Os heróis da fé sabiam fazê-la, e, por isso, venceram reinos, praticaram a justiça, alcançaram promessas, fecharam a boca dos leões, apagaram a força do fogo, escaparam do fio da espada, da fraqueza tiraram forças, na batalha se esforçaram e puseram em fuga exércitos de estrangeiros. Sim, tudo isto e muito mais conseguiram, porque sabiam fazer aquilo que pelo Senhor é considerado como oração.

E você, já sabe fazer a oração que move a mão do Senhor e faz com que o poder celestial opere em seu favor? Há muita coisa boa esperando por você. Aprenda a fazer a oração da fé e passe a desfrutar do melhor desta vida.

Não vamos, nesta lição, estudar todos os tipos de orações, mas a fórmula da oração que devemos fazer para vencermos os males. Existe tal fórmula?


Sim. No livro de Isaías 43.26, está escrito:

Procura lembrar-me; entremos em juízo juntamente; apresenta as tuas razões, para que te possa justificar.

Temos aí nesta declaração de Isaías a fórmula da oração que nos fará vitoriosos.


1°-PROCURA LEMBRAR-ME

Ao entrarmos na presença do Senhor, devemos fazê-Lo saber que estamos ali porque somos Seus filhos, porque a Palavra dEle nos garante a bênção e porque acreditamos que Ele é poderoso para nos conceder a graça. Se quisermos ser atendidos em nossa petição, temos que entrar em Sua santa presença, lembrando-O de tudo aquilo que a Sua Palavra nos promete e garante nos pertencer.

Alguém poderá perguntar se Deus é esquecido. Poderá questionar que - desde que Ele é onisciente - Ele sabe tudo e, por isso, não precisamos lembrá-Lo. Ainda poderá argumentar que o próprio Senhor Jesus ensinou que o Pai sabe do que precisamos antes de Lhe pedirmos a bênção, pois foi assim que Jesus ensinou: ...porque vosso Pai sabe o que vos é necessário antes de vós lho pedirdes (Mt 6.8).

Não é que o Senhor tenha estes ou quaisquer outros problemas, nem que existam contradições na Bíblia Sagrada. Isto nada tem a ver com o ensinamento de Jesus que acabamos de ver. O que realmente o Senhor quer dizer por lembrar-me, é o seguinte:

Quando vamos orar, nem sempre estamos desligados das coisas materiais que nos cercam. Muitas vezes, estamos tão rodeados pêlos problemas que não conseguimos nos concentrar, nos ligar em Deus, e a nossa oração fica vazia e destituída de fé, poder e autoridade e, por conseguinte, não recebemos o que pedimos ou determinamos.

Quando começamos a orar lembrando ao Senhor as Suas promessas, estamos na verdade fazendo mais bem a nós do que propriamente lembrando a Deus. Estamos como que "escovando" o nosso espírito, "lustrando" a nossa verdadeira pessoa - o nosso espírito. Ao lembrar ao Senhor tudo aquilo que nós conhecemos e cremos na Sua Palavra, estamos verdadeiramente de novo, ou pela primeira vez, dando ouvidos à Palavra de Deus; sabemos que é por dar ouvidos à Palavra que a fé vem ao nosso coração. Então, estamos fazendo, na verdade, um bem infinitamente maior à nossa própria pessoa.

Aqueles que usam este método sabem que isto é verdade, pois Deus não precisa de que nós O lembremos para que Ele próprio fique ciente de que nos havia prometido aquela bênção.


2° - ENTREMOS EM JUÍZO JUNTAMENTE

A oração é um julgamento. Uma batalha. Uma guerra. Ao entrarmos em oração, devemos fazê-la lembrando que estamos verdadeiramente entrando para decidir uma situação.

Deus diz que devemos entrar em juízo. Ninguém entra em juízo de qualquer maneira. Se levamos alguém a juízo, ou se somos levados por alguém, devemos nos preparar para a batalha. Certamente o nosso adversário vai usar de todos os meios e métodos imagináveis para ter vitória sobre nós. E nem sempre quem tem direito é quem ganha, mas sim quem consegue "provar" a sua "inocência" ou "razão". Precisamos, então, nos preparar para entrarmos em juízo, e isto nos leva de volta ao primeiro passo que é o de lembrá-Lo.

Após termos "lembrado" ao Senhor, devemos entrar juntamente com Ele em juízo. Não podemos ir sozinhos nem tão pouco pedir a Deus que Ele vá por nós. Ele diz que temos que ir juntamente. A batalha é nossa e não do Senhor, e temos que fazer com Ele a nossa defesa e o nosso ataque.

Isso é certeza de vitória. Quando e onde foi registrado que Deus tenha perdido uma só batalha? Isto é simplesmente impossível de acontecer.

Entrar juntamente com o Senhor no julgamento é encontrar aquela promessa ou declaração que Ele faz a respeito da nossa posição diante daquela situação; e então, destemidamente, iniciar a oração, especificando o motivo dela - logicamente que usando o Nome de Jesus - e partir para cima do adversário, exigindo que ele e tudo o que é dele saiam de nossa vida, família e propriedade.


3° - APRESENTA AS TUAS RAZOES

Depois de termos lembrado ao Senhor o que somos e o que sabemos ser nosso direito, e de termos entrado juntamente com Ele em juízo, precisamos apresentar as nossas razões. Apresentar as nossas razões é fazer o mesmo que fazem os advogados quando estão defendendo alguém. Devemos conhecer o direito que a Palavra de Deus declara ser nosso, e aí, diante do Tribunal Supremo do Universo, que é a própria Palavra, erguer a nossa voz e não aceitar nenhum veredicto a não ser aquele que determinamos. Nesta hora, devemos ficar bem acordados e alerta, pois o inimigo vai tentar de todas as formas nos ludibriar. Às vezes, ele vem bem de mansinho, tentando passar-se pelo Senhor. Ele insinua que nós não merecemos as bênçãos, como se elas nos fossem dadas por merecimentos; e, se não conhecemos os meios pêlos quais elas nos são concedidas - pela graça, mediante a fé - nós podemos ser convencidos de que realmente não merecemos nada e aí teremos perdido tudo.

Como o demônio gosta de que vivamos na ignorância, que sejamos preguiçosos nas coisas espirituais e que não aprendamos aquilo que é nosso! Só assim ele poderá, na hora da nossa oração-julgamento, vir com as suas desculpas esfarrapadas e nos ludibriar. Muitas vezes, ele traz à memória um pecado que havíamos cometido há muito tempo, do qual já nos arrependemos, e, portanto, ele nem mais existe na memória do Senhor. Mas, por não estarmos afiados na Palavra, esquecemos que pecado confessado é pecado inexistente e, então, nos colocamos a confessá-lo de novo, assumindo uma posição de responsáveis por algo que já nem mais existe.

Veja bem a importância de conhecermos os nossos direitos, pois, a pessoa que não os conhece será facilmente enganada pelo maligno. Ela não terá condições de apresentar as suas razões e, assim, não conseguirá pleitear a sua causa, perdendo conseqüentemente a batalha. Lembre-se da lição n° 3, em que estudamos que direito não reclamado é direito inexistente. Você tem direito à bênção. O Senhor Jesus já venceu o diabo por você. Ele já levou as suas doenças para que você não tivesse que levá-las. A Bíblia garante que você é mais do que vencedor. Mas, se você não conhece as declarações da Bíblia que falam da sua posição diante de Deus, você não poderá apresentá-las no julgamento, e certamente ficará sem receber o cumprimento delas.

Quando estamos cientes dos nossos direitos - e isto podemos estar não pelo que desejamos, mas unicamente pelo que a Palavra de Deus afirma -, podemos estar certos de que aquilo que a Bíblia diz ser nosso é o que teremos; Deus não colocou qualquer declaração nas Escrituras só para enfeitá-las. Elas foram colocadas para que pudéssemos ter vida, e vida com abundância.


4° - PARA QUE TE POSSAS JUSTIFICAR

Aqui está claro que Deus não quer que brinquemos de oração nem que sejamos derrotados ao orar. O propósito da oração é que sejamos justificados, o que na linguagem bíblica significa: a vitória na oração.

Só mesmo alguém que desconhece a sua posição em Cristo e os seus direitos na presença de Deus será capaz de fracassar nas batalhas espirituais - tanto pelas bênçãos espirituais quanto físicas ou materiais.

Justificação é um termo próprio da justiça que significa não somente absolver, mas declarar alguém justo, como se esse jamais houvesse pecado em toda a sua vida. A justificação inclui mais do que o perdão dos pecados e a remoção da condenação, pois, no ato da justificação, Deus coloca o ofensor na posição de justo. O presidente da República, por ocasião do natal ou ano novo, pode indultar (perdoar) o criminoso; não pode, porém, reintegrá-lo na posição daquele que nunca desrespeitou a lei.

Ora, sem a justificação, que vem pela fé, jamais teremos paz com Deus. Se não tivermos paz com Ele, podemos esquecer: jamais seremos abençoados. Mas, graças a Deus que isso é possível. É para isso que Ele nos convida.

Sendo, pois, justificados pela fé, temos paz com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo. (RM 5.1)